Resenha / O Cavaleiro de Rubi (Trilogia Elenium – Livro II)

Trilogia Elenium O Cavaleiro de Rubi David EddingsLivro: O Cavaleiro de Rubi

Série: Trilogia Elenium

Autor: David Eddings

Editora: Aleph

O Cavaleiro de Rubi conseguiu nos surpreender, pois diferente de O Trono de Diamante (clique aqui para ler a nossa resenha), que tinha a responsabilidade de nos apresentar o universo de Elenia, conseguiu manter o mesmo nível de interesse e leitura fluida sem cair no erro de um livro enfadonho, afinal depois de conhecermos o mundo, os personagens e os eventos que nos levaram pelo início dessa história, normalmente as trilogias de fantasia tendem a derrubar o ritmo em seu segundo volume. David Eddings conseguiu manter o entusiasmo do leitor e interesse por conhecermos mais sobre a jornada de Sir Sparhawk em busca do Bhelliom, o artefato que salvará da Rainha Ehlana.

Partindo de onde terminou o primeiro livro, após ter pistas de como curar a Rainha envenenada e aprisionada no diamante, o autor cria uma missão distante que nos leva para dentro do que poderia ser um road movie num livro de fantasia medieval, com uma viagem épica dos personagens por um mundo vasto e desconhecido. Vamos acompanhar muita movimentação de um ponto ao outro, porém recheado de locais novos, intrigas políticas (por conta da decadência de Cluvonus) e sem contar as manobras de Annias, o primado de Cimmura, e Lycheas, seu bastardo, de não tomarem o trono.

Como se as guerras e a política de Eosia não fossem o suficiente, Sparhawk e sua comitiva de heróis partem da jóia que pertencia à coroa do rei Sarak, de Thalesia, porém acabam enfrentando o poder do antigo deus Azash, que também busca pela Bhelliom. O sobrenatural fica ainda mais ameaçador nesse segundo livro e servirá como elemento importante para nos apresentar o Rastreador, com seu manto negro, e para o retorno de Ghwerig, a versão de Eddings para criar o seu próprio Gollum, sendo o responsável por esculpir a jóia mágica em formato de rosa. Sem contar que a magia e o sobrenatural que nos leva ao final desse segundo livro para nos surpreender de maneira magnífica, sem esperarmos pelo que poderia acontecer.

Eddings deixa claro a influência de Tolkien em seu universo e personagens, ainda mais nesse segundo livro, porém buscou se diferenciar ao explorar melhor a intriga política, mostrando um pouco mais sobre a ordem de Cavaleiros Pandion e as questões religiosas da Trilogia Elenium, nos fazendo entender melhor sobre a ganância e o nível de comprometimento de alguns personagens para com os antigos e novos deuses. Com o conhecimento sobre as crenças já bem desenvolvido, é nesse segundo volume que conhecemos mais sobre Otha, o governante de Zemoch, e Martel, o ex-cavaleiro Pandion, além da ligação de ambos com Azash. E é nessa parte do enredo, carregado de crenças, que temos a melhor trama de O Cavaleiro de Rubi: Flauta, Sepherenia e os Jovens Deuses Styricos (sem spoilers para não estragar nenhum detalhe do livro!).

A comitiva de Sparhawk, com Sir Kalten, Sir Ulath, Sir Tynian, Sir Bevier, Berit, Talen, Kurik, Sepherenia e Flauta, tem sua fama espalhada por Eosia, o que contribuirá para a narrativa. Todos eles também fazem parte do humor que alivia as batalhas sangrentas e no faz relaxar em meio ao nível máximo de urgência que o livro possui.

O Cavaleiro de Rubi tem todos os elementos capazes de fazer dele um livro ainda melhor que o primeiro volume e prepara o terreno para uma grande conclusão em A Rosa Safira. Eddings conseguiu reunir o melhor de J. R. R. Tolkien com uma pitada de George R. R. Martin, num mundo fantástico que deixaria Christopher Paolini e Licia Troisi com inveja. A Trilogia Elenium merece muito a atenção dos fãs de fantasia medieval e que buscam, entre todos os livros clichês desse estilo já saturado, um respiro criativo e com uma leitura agradabilíssima.

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About Rafael Nery

1) Geminiano e Nerd 2) Adoro usar xadrez 3) Amante de quadrinhos, games, filmes e desenhos 4) Estudioso da cultura japonesa 5) Viciado em literatura fantástica