Resenha: Star Wars – Marcas da Guerra

Star Wars Marcas da GuerraLivro: Marcas da Guerra

Série: Trilogia Aftermath

Autor: Chuck Wendig

Editora: Aleph

Star Wars: O Despertar da Força estreia hoje e o que ele pode trazer de melhor para os fãs é o Universo Expandido do novo cânone. A prova disso? Marcas da Guerra, o livro de Chuck Wending, já é a melhor obra literária da franquia Star Wars que você pode encontrar até esse exato momento. Novos personagens em uma narrativa que vai de 0 a 100 a cada virar de página e que não deixa você tomar fôlego ou pensar em parar a leitura; são mais de 400 páginas do que existe de melhor em todos os filmes e jogos reunidos em um único livro.

“Aqui é Leia Organa, a última princesa de Alderaan, ex-integrante do Senado Galáctico e uma líder da Aliança para restaurar a República. Tenho uma mensagem para a galáxia. O domínio do Império sobre nossa galáxia e seus cidadãos acabou. A Estrela da Morte próxima à lua florestal de Endor foi destruída, levando com ela a liderança imperial.”

É com essa citação e nesse clima que o livro começa, de mudança e conflitos no pós-guerra, em que as pessoas tentam voltar à normalidade ou escapar da mão dos vilões que surgem aos montes ao tentarem se aproveitar do vácuo de poder após a queda do Império, que acontece nos planetas mais longínquos e que fazem parte da Orla Exterior. A história se passa em Akiva, mais precisamente em Myrra, a capital que acabou sendo explorada pelo Império e por seu sátrapa, incitando pobreza, exploração e crimes por todos os locais.

No início do livro somos apresentados, de maneira individual, aos personagens dessa trama: Norra Wexley, Temmin Wexley, Sinjir Rath Velus e Jas Emari. Na mesma ordem, são quatro situações diversas sobre a vida de uma ex-combatente Rebelde, o garoto sucateiro e malandro que vive em Akiva, um ex-agente de lealdade do Império e, por fim, uma caçadora de recompensa atrás do seu alvo, todos localizados em Myrra. Os personagens principais serão jogados para dentro de um turbilhão de acontecimentos e unidos conforme a história progride, com um único objetivo em seus vários interesses: acabar com a reunião secreta do Império no palácio de Isstra Dirus.

Os personagens ligados ao Império também são apresentados desde o início e, com excessão da Almirante Rae Sloane, que já apareceu e se mostrou importante para o Universo Expandido em Star Wars – Um Novo Amanhecer (clique aqui para ler a nossa resenha), temos Moff Valco PandionArsin Crassus, Jylia Shale e Yupe Tashu. Todos eles com grande patente e importância que vai levar a reunião realizada em Myrra como algo crucial para a estratégia de levante do Império.

É com a investida do capitão Wedge Antilles ao perceber destróieres estelares em Akiva, durante o seu vôo de reconhecimento, e com sua comunicação interrompida, é que instiga o ex-Líder Vermelho acaba investigando a presença do Império e se tornando refém de Sloane. Esse é apenas a fagulha que vai unir e movimentar os quatro heróis protagonistas em uma investida encabeçada por Norra para resgatar o capitão de sua raptora, a Almirante Sloane, e tentar barrar as atividades imperiais.

Dividido em quatro partes e com interlúdios que nos levam a locais mais remotos como, por exemplo, Naboo, Tatooine, Chandrila, Saleucami, Naalol, Uyter, Bespin, Taris, Coruscant e, por fim, Jakku, o autor foi brilhante ao usar uma história que resgata o melhor da Trilogia Clássica de Star Wars e usar mini-histórias para expandir ainda mais o que podemos esperar de conteúdos multimídias que a Lucasfilms e Disney lançarão.

Wendig não enrola ao contar sua história, sem pecar nas descrições dos elementos e locais. A narrativa é fluida, a descrição das sequências de ação são de tirar o fôlego e os personagens são um deleita a parte. Você vai amar cada um deles, dos heróis e dos vilões também; quereremos mais sobre os seus passados e motivações, além de ir página após página torcendo para encontrar os já conhecidos Leia, Luke, Han e Chewie. Com destaque para Han Solo e Chewbacca, que devem ganhar um livro explorando a história de libertação de Kashyyyk, planeta natal dos Wookies, os outros são lembrados durante o livro, porém sem se tornarem foco.

Não é atoa que faz parte da Jornada para Star Wars: O Despertar da Força, afinal temos um vislumbre sobre a formação da Nova República, o papel da Mon Mothma em desmilitarizar o poder e desejar uma democracia, o final que nos reserva um vilão desconhecido e que pode nos levar ao nascimento da Primeira Ordem, o fascínio por Vader e os responsáveis por irem atrás do seu sabre de luz, além de vermos nascer duas grandes personagens fortes e a rivalidade entre Rae Sloane e Norra Wexley, que com certeza ainda será muito explorada.

Esse livro é a melhor leitura de Star Wars que poderíamos pedir em 2015, afinal ele nos leva por novos e interessantíssimos caminhos, com personagens cativantes e bem construídos, porém ele faz algo inédito: se importa com o ambiente e as raças que habitam os locais afetados pela guerra entre os Rebeldes e Império. Pela primeira vez somos tocados por acontecimentos entre seres comuns que habitam a galáxia e muitas vezes nem imaginamos como são impactadas durante os principais acontecimentos da saga.

Nós já sabemos que o selo Legends possui ótimos títulos, porém podemos ficar tranquilos porque Chuck Wendig fez o que podemos considerar o melhor livro para iniciar o novo cânone de Star Wars. Uma leitura obrigatória para todos os fãs e pelos curiosos que irão ao cinema na estreia do Episódio VII.

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About Rafael Nery

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