Review em Dose Dupla | Jogos Vorazes: Esperança – Parte 1

Na última semana, aconteceu a estreia mundial do filme Jogos Vorazes: Esperança – Parte 1, adaptação da primeira parte do terceiro livro da autora Suzanne Collins. A série é distribuída pela empresa Paris Filmes, e que teve a maior estreia do ano nos EUA e no Brasil, foi nada mais, nada menos que a maior estreia da história do país em número de salas de cinema. Diante desse fenômeno, resolvemos discutir o que gostamos e os pontos que deixaram a desejar na adaptação, num Review duplo, feito por mim Lica (Preto) e pelo Rafa (Azul).

Jogos Vorazes Esperança Parte 1

ATENÇÃO! Se você não viu o filme ou leu o livor, esse review contém spoilers sobre a série e pode estragar a sua surpresa de ir ao cinema…

[SINOPSE: Após ser resgatada do Massacre Quaternário pela resistência ao governo tirânico do presidente Snow (Donald Sutherland), Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) está abalada. Temerosa e sem confiança, ela agora vive no Distrito 13 ao lado da mãe (Paula Malcomson) e da irmã, Prim (Willow Shields). A presidente Alma Coin (Julianne Moore) e Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffman) querem que Katniss assuma o papel do tordo, o símbolo que a resistência precisa para mobilizar a população. Após uma certa relutância, Katniss aceita a proposta desde que a resistência se comprometa a resgatar Peeta Mellark (Josh Hutcherson) e os demais Vitoriosos, mantidos prisioneiros pela Capital.]

Somos transportados para o Distrito 13, onde há uma hierarquia e um preparo para uma possível guerra a favor da revolução, e Katniss acaba sendo a peça chave e Marqueteira do processo TORDO (infame). Diante da campanha Katniss tem que driblar os sentimentos por Peeta, embasado na proposta de salvar o povo de PANEM que veste a causa e acaba sofrendo na mão do Presidente Snow. As passagens do Distrito são lentas, porém as injustiças da Guerra são frias e remetem ao fã muita tristeza, a série que nos alimentava com sua carnificina, fica mais séria quando demonstra as perdas irreversíveis  de cada personagem a passagens cruentas de homicidios monstruosos.

Philip-Seymour-Hoffman-The-Hunger-Games-Mockingjay-Part-1-Julianne-Moore

Ok! Pelo visto eu farei o papel do chato nesse Review… Vamos concordar que Jogos Vorazes é muito bem adaptado (até demais nesse terceiro), porém é um filme de ação e violência para toda a família, incluindo a vovó! Afinal, quando você fala em carnificina temos a ausência de sangue. Nunca vi alguém tomar um tiro, uma flechada ou um arpão no peito e não deixar escorrer uma gota de sangue (e tudo por uma classificação mais baixa, o que leva a mais dinheiro!). Isso faz com que o filme perca um pouco do impacto.

“Esperança” para mim é o livro visceral da Trilogia Jogos Vorazes. Eu estava muito ansiosa para ver o resultado. Nada romântico, esse filme é  repleto de politicagem e a busca pela democracia do subconsciente de cada leitor, onde Katniss não tem tempo de ser mais a Catnip, onde tudo ganha um novo valor, uma nova visão. Quebrando esteriótipos, com um clã de anti-heroínas grande, “Esperança Parte 1” serve para acender a chama do que vem na Parte 2 e preparar os corações oprimidos.

Concordo com você em partes! Tem tudo isso, porém o fio condutor de toda a revolta para a Katniss é o resgate do Peeta, não acha? De Jogos Vorazes vamos para Revenge! Toda essa primeira parte do último filme pareceu uma grande busca pelo amor perdido, com a revolta em segundo plano. Mas não posso reclamar de tudo, o visual do filme continua impecável, os personagens aparecem na medida certa e a Presidente Alma Coin foi muito bem interpretada!

“Se nós queimarmos, você queimará conosco”

“Humpf!” (Suspiro de Katniss na cena do riacho)

Alguns personagens mesmo assombrados pelo comunismo do Distrito 13, não perdem o carisma como Effie e Finnick (que se torna maduro com  a sua confissão crua dos acontecimentos na capital). Ofuscado pela fotografia de guerra, esquecemos dos luxuosos trajes da Capital. As cenas no Distrito se tornam lentas, quando deveriam ser apenas demonstrar tensão pré-conflitos. Uma coisa que não me conformou (dado pelo meu lado Medica Veterinária) foi o aparecimento do gato ruivo, que antes era preto e branco.

Jennifer-Lawrence-The-Hunger-Games-Mockingjay-Part-1

Juro que nem lembro da cor do gato! O que não me sai da cabeça é que para mostrar toda essa estrutura do Distrito 13, a revolta e até mesmo um pouco da construção dos personagens nesse mais novo lado “soldados da revolução”, eles fazem com que a Katniss retorne DUAS vezes ao Distrito 12 para fazer a mesma coisa, além de se indignar pela tragédia nas duas vezes consecutivas? Estranho… Sem contar que a revolta dela, no Distrito 8, cresce depois que ela derruba um dos cruzadores em cima do hospital “secreto” repleto de doentes (momento Trapalhões).

O mais estranho no filme é que a busca pelo Peeta e a revolta de Katniss contra o Presidente Snow ficam em primeiro plano quando temos passagens muito importantes, como a história que o Odair conta ou até mesmo o peso da Presidente Coin e a mudança brusca que o Gale teve. Isso tudo para levar no clímax do Peeta e não terminarem o filme com a paulada que ele toma ao atacar a Katniss? E isso tudo depois de 1h de enrolação e apenas 1h de coisa útil no filme? Ah! Não…

Colocando os prós e contras no papel, a primeira parte de Esperança me cativou, mesmo com a trama levemente lenta e fria para quem não se apega aos personagens, eu gostei mesmo, me emocionei, e percebi que eles tentaram ser bem fiéis aos principais acontecimentos do livro. Quer se emocionar? Chorar pelo Peeta garoto pão e ainda mandar que a Dilma e o Aécio queimem com o Tordo, vá conferir o filme que na minha opinião é a diversão perfeita para nenhum fã botar defeito!

Eu vou terminar o review e continuar achando que de todas essas modinhas de dividir o último filme em duas partes, A Esperança – Parte 1 conseguiu ser mais chato que a primeira parte do fim de Harry Potter e só não perdeu para Crepúsculo! A única parte boa do filme foi Jennifer Lawrence cantando Hanging Tree, fora isso o filme é muito lento e arrastado. Um verdadeiro caça-níquel que fracassou ao perder o gancho do clímax no final para uma cena morna que (TALVEZ) me deixasse sair do filme empolgado e curioso, apenas pelo final, mas que fez com que eu saísse de lá reclamando e revoltado.

About Lica

Zootecnista, amante dos bichos, livros, séries, e filmes.