Série: Os Legados de Lorien
Autor: Pittacus Lorie
Editora: Intrínseca
Resenhado por Gabriel M. Souza
Depois de um início legal, e uma ótima sequência, chega finalmente o terceiro livro da saga Os Legados de Lorien, “A Ascensão dos Nove“. Se você não leu os livros anteriores, cuidado! Essa resenha pode conter spoilers…
Antes de encontrar John Smith, o Número Quatro, Número Seis estava sozinha, lutando e se escondendo para continuar viva. Juntos, eles eram bastante poderosos. Mas precisaram se separar para localizar os demais lorienos sobreviventes.
Seis foi até a Espanha em busca da Número Sete e encontrou mais do que esperava: um décimo membro da Garde, que conseguiu escapar de Lorien. Ella é mais jovem que os outros, mas igualmente corajosa. Juntas, elas partem em uma jornada pela Índia, movidas por boatos que talvez as levem a outro Garde.
Ao mesmo tempo, Quatro e Nove ainda se recuperam da fuga da caverna dos mogadorianos, em West Virginia, e travam uma briga particular: John se culpa por ter abandonado seu melhor amigo, o humano Sam Goode, e Nove menospreza a lealdade de John e o acusa de não se dedicar ao que deveria ser o principal propósito deles: destruir Setrákus Ra e vencer a guerra contra os mogs.
Enquanto nos dois primeiros livros quem roubou todas as atenções era a Seis – a qual, facilmente digo que era a melhor personagem de ‘Eu Sou o Número Quatro’ e ‘O Poder dos Seis’, – agora divide o palco com mais um personagem forte, complexo, com uma nova história e novas motivações: o Nove. Quatro, Dez, Sete, etc, mostraram um amadurecimento neste livro, embora ainda não sejam tão chamativos quanto Seis e Nove, mas estão mais legais, mais centrados em seus objetivos, encontrando seus caminhos e abraçando seus destinos bons ou ruins.
Eles novamente irão lutar pela própria sobrevivência – o que significa a sobrevivência da própria espécie – e separadamente buscarão uma maneira de salvar Lorien e a Terra dos Mogadorians. Quatro e Nove possuem uma ótima química, apesar de às vezes parecer um pouco superficial, eles se relacionam como soldados enviados à guerra, o que é a questão que o livro deveria colocar. Também fica muito boa a relação entre Seis, Sete e Dez que em certos momentos parecem até irmãs em meio à Guerra do Paraguai.
Pittacus Lore coloca esse assunto de forma sutil e o transforma aos poucos, vai moldando cada trilha percorrida com o crescimento das personagens; temos de volta, também, o tom crítico que Os Legados de Lorien tem sobre a questão ambiental, embora em proporções menores se comparado ao primeiro livro. Lore joga tudo isso em um liquidificador e nos dá o melhor livro já publicado da série, bem o que os leitores que leem seus primeiros livros de ficção científica esperam: uma mensagem legal aqui e acolá, algumas personagens marcantes, um pouco de romance, uma ou outra reviravolta, uma crítica. Para os já iniciados em sci-fi e, principalmente, fãs conservadores de Star Wars ou Star Trek, Os Legados de Lorien pode não ser interessante e o terceiro livro não é exceção.
Mas para os fãs e curiosos, ‘A Ascensão dos Nove’ é uma ótima continuação para uma saga que não tem necessidade de ser épica ou que trate tudo de forma adulta. É a ideia, afinal, uma ficção sobre crescer e aceitar o que somos e o que precisamos ser para sobreviver.
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