Resenha: O Prisioneiro do Céu

Livro: O Prisioneiro do Céu
Série: O Cemitério dos Livros Esquecidos
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Suma de Letras

 

Falar sobre algum livro do Carlos Ruiz Zafón é um verdadeiro desafio para mim. Isso porque, como fã confessa do autor, poderia muito bem ficar discorrendo sobre as suas infinitas qualidades como contador de histórias durante dias e dias a fio. Mas prometo que vou tentar ser mais concisa (e menos “fangirl”).

A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo e O Prisioneiro do Céu: os três livros que formam a trilogia O Cemitério dos Livros Esquecidos. Antes de comentar de fato este último volume, vale ressaltar um comentário feito pelo próprio autor no começo da obra:

“As diversas partes da série do Cemitério dos Livros Esquecidos” podem ser lidas em qualquer ordem e separadamente, permitindo que o leitor acesse e explore o labirinto de histórias através de diferentes portas e caminhos que, enlaçados, o conduzirão ao coração da narrativa”.

E, de fato! Apesar de ter conduzido a leitura dos livros do Zafón de acordo com a sua ordem de publicação, atesto que a afirmação é verdadeira! Viajar por suas páginas é um delicioso exercício de “unir os pontos” e descobrir, pouco a pouco, que detalhes e acontecimentos se relacionam com os outros livros – e de que forma. E o resultado é simplesmente surpreendente! O autor soube conectar os textos de um jeito absolutamente impressionante! Não há uma ponta solta, um fato colocado ali “por acaso”… Acreditem!

O Prisioneiro do Céu nos leva de volta à Barcelona chuvosa dos anos 50/60, onde, depois de finalmente desvendar o mistério por trás dos livros e da vida de Julián Carax (enredo principal de A Sombra do Vento), Daniel Sempere se encontra envolvido em um novo desafio.

Tudo começa quando um estranho personagem surge diante da livraria de livros raros Sempere e Filhos, em busca de Fermín, amigo do dono e funcionário do local. Na ausência deste, o visitante lhe deixa um exemplar de “O Conde de Monte Cristo”, com uma dedicatória no mínimo suspeita – e que acaba deixando o destinatário com o cabelo em pé!

“Para Fermín Romero de Torres, que retornou de entre os mortos e tem a chave do futuro. 13”

Curioso (e até um pouco inconsequente), Daniel decide investigar o caso e acaba mergulhando em um passado há muito esquecido…

A obra segue a mesma estrutura dos volumes anteriores: narrado em primeira pessoa e com uma boa dose de “flashbacks” que nos transportam a histórias paralelas (mas não menos importantes) e que nos ajudam a compreender melhor o contexto acerca de lugares e personagens. A escrita poética que já se tornou sua marca registrada também está presente, repleta de sinestesias e outras figuras de linguagem ainda mais inspiradoras.

Desta vez, o fio condutor desta história é ninguém menos que Fermín. Se em A Sombra do Vento ficamos curiosos para sabermos a origem deste carismático personagem, em O Prisioneiro do Céu temos a oportunidade de conhecermos a sua origem dura, sofrida e digna de um bom livro de Alexandre Dumas!

Não sei se é porque sou muito fã da série, mas um sentimento que me acompanhou durante toda a leitura foi nostalgia, ainda mais acentuada por alguns acontecimentos e aparições (não vou dizer quais especificamente, pois seria um baita de um spoiler, mas basta saber que elas farão todo o sentido para quem já está familiarizado com a história).

Como já citei acima, Zafón conseguiu completar o quebra-cabeça de um jeito surpreendente e que encerra (?) a série com chave de ouro. Sem dúvida, esta entra para o rol das melhores histórias da atualidade!

Fiquem de olho!!! Em breve teremos promoção valendo um exemplar do livro!!

 

About Sabrina

Paulistana, geminiana, curiosa e irrequieta. Prefere a cidade ao campo, mas o campo à praia. Gosta de música, tecnologia, livros e cappuccino. Na sua bolsa nunca faltam o iPod, o celular e, é claro, a leitura do momento.